Ela sabia. Sabia que tudo aquilo não passava de mera piada divina. Não podia estar acontecendo com ela, não daquele jeito.
Deitou-se em seu quarto, no chão. Queria se conectar a algo que fosse firme. E aquele chão, frio e duro, era o que ela podia ter de melhor em se tratando de firmeza. Horas se passaram e ela não sentiu nada. Fome, sede, dor e muito menos vontade.
Seus pensamentos vazios corriam para o passado. Mas não se firmavam em imagem alguma, tudo estava borrado e distante. Mesmo as lembranças de ontem não faziam o menor sentido. Ela não conseguia pensar. Imagens aleatórias viam e iam. Um cachorro, uma casa antiga, um sapato, uma mão, um sorriso, uma igreja, um olhar, um caixão. Mas nada fazia sentido.
Ela tinha a sensação que estava suspensa da vida naquele momento. E gostaria que fosse verdade.
Um comentário:
sutil e preciso o desenho que produz esse arranjo de verbo. lindo.
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