quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Preservar-se é tentar manter-se em uma gaiola para que ninguém possa apontá-la. Ela não tem mais medo de julgamentos. Ela é verdadeira. Nem sempre coerente, mas sempre honesta.

domingo, 21 de agosto de 2011

A espera

Ela não tinha controle sobre nada.
O que ela poderia fazer agora seria esperar e ver o que a vida lhe reservava.
Ela não poderia sentir culpa, mas sentia.
Ela não poderia sentir medo, mas sentia.
Ela não poderia estar triste, mas estava.
Ela não poderia desistir, mas estava sem força.

O que ela poderia fazer? Lutar contra o sentimento?
Se pelo menos esse sentimento fosse o seu, ela poderia tentar.
Ela não tem como lutar.

A culpa em seus ombros a leva a clássica pergunta: onde ela errou?

A espera que esse sonho ruim acabasse, ela se sublimava.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Ela não vê...

Ela não vê os dias iguais,
poderiam ser mais.
Ninguém anseia os seus braços,
ela não vê
nem sente.

sábado, 30 de julho de 2011

Enjaulada em uma vida
que não a pertencia
não sabia como respirar.

O esforço para que o ar
entrasse em seus pulmões
a deixava tão cansada
que ela gastava
todo o seu tempo
com essa ação.

Não fazia mais nada.

Nem poderia.

Não saberia.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Não irá


Deitada no sofá, ela imaginava tudo o que poderia fazer. Tudo o que poderia ter feito, mas não fez. Ficou lá, deitada, por horas a fio. Olhava para o relógio, olhava para a televisão, abraçava o cachorro, mas em sua mente produtiva ela fizera muito mais que isso. Ela limpara a casa, arrumara o quarto, e escrevera um livro inteiro. Isso, isso mesmo, ela não precisa levantar, ela não precisava fazer. Será que era isso que ela pensava? Será que tinha tanta certeza do seu potencial que achara que não precisa se submeter? Bem, dessa maneira ela não iria muito longe, como não fora.

Em alguns momentos ela queria que a vida dela não fosse a dela, pois poderia falar dela em um livro e não seria um diário.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

só ela só ela

Ninguém sabia.
Ninguém sabia o que a fazia surtar.
Ninguém sabia que ela queria muito, só não sabia o quê.
Ninguém sabia que ela chorava todo dia.
Ninguém sabia o que ela mais temia.
Ninguém sabia que ela estava perdendo a vida.
Ninguém sabia que ela não era do tipo que mães gostam.
Ninguém sabia que ela não era ela.
Ninguém sabia que ela estava perdida diante da diversidade da vida.
Ninguém sabia que o coração dela ficava pequinininho e ela não sabia porquê.
Ninguém sabia o que a vida dela estava passando e nada era feito.
Ninguém sabia sobre a vontade dela de sumir.
Ninguém entendia o que era ser ela.

só ela só ela só ela só ela só ela só ela só ela só ela só ela só ela só ela só ela só ela

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Nem tudo...

É sobre isso que venho falando.
Não quero saber a sua versão sobre a sua vida, quero ter a minha.
Quero saber da sua vida por mim mesma, quero poder participar da sua vida não só por palavras, não só dois dias na semana, quero mais. Quero de fato. Quero chegar em casa cansada e ter o teu sorriso me esperando, ou chegar em casa cansada e preparar um sorriso pra te esperar, quero, quero, quero.
Quero acordar para ir trabalhar e sentir o teu cheirinho ao meu lado, e não só aquele resto que ficou nos lençóis do final de semana. Quero sair do trabalho, no meio da semana, e me encontrar com você, para se distrair, para rir um pouco. Quero participar da sua vida por inteiro, não só um relatório de como foi teu dia. Quero que o final de semana seja o final da nossa semana e não o nosso momento.
Quero muito mais, mas não posso querer.
A vida fez assim e ela há de consertar, já consertou tantas vezes!
Quero você aqui, agora, para me dar boa noite.

Nem tudo que a gente quer a gente tem... passei minha infância escutando isso. 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Cinco sentidos

Ela estava insegura. Não sabia mais o que fazer. Sentou na calçada, ficou olhando os carros passando, pessoas andando, cachorros virando o lixo, crianças gritando. Nada a abalava. Olhava tudo e não enxergava nada. Nada ficava para ser processado. Sentiu uma brisa fria, sentiu mas não absorveu. Não se abalou, nem moveu um músculo se quer. Com os cotovelos apoiados nas pernas e o queixo apoiado nas mãos passaram-se horas. E ela, imóvel. Como não sabia o que fazer, o melhor era ficar parada. Outro cachorro aproximou-se, cheirou-a e se afastou. Ela estava destinada a repelir, até os animais.

Ninguém, até o momento, parara para ajudá-la. Não que ela precisasse de ajuda. Não precisava. Mas ninguém sabia que ela não precisava, e mesmo assim não paravam. Estavam ocupados demais.

Começou a anoitecer, um gato se aninhou embaixo das suas pernas. Esse carinho não lhe trouxe conforto, pois suas pernas já estavam dormentes. Qualquer carinho, em qualquer parte do seu corpo, seria doloroso. Mas ela não se mexeu. Pelo menos estava sentindo dor. Dor pelo menos era um sentimento.

Ela tinha cinco sentidos, talvez seis. Nenhum servia. A visão não processava nenhuma imagem. O olfato não despertava nenhuma reação. O paladar há tempo que tinha defeito, só sentia o amargo. A audição estava cheia de ruídos, do seu pensamento. O tato não sentia nem frio, nem calor. Cinco sentidos inúteis.

Talvez o sexto fosse o único que estivesse funcionando. Talvez.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Não

Não, eu não lutaria por você.
Não quero carregar a sensação de que está comigo porque venci, porque mereço.
Não quero carregar essa sensação de ter vencido uma luta, de ter vencido uma guerra.
Não, eu não lutaria por você.
Você não é um tesouro perdido precisando ser encontrado.
Daí, quem achar primeiro é seu.
Você é um tesouro sim, eu achei primeiro sim, mas você não é minha.
Você é sua, é você quem decide.
Lutar por você a deixaria em uma situação muito confortável.
O conforto, nesse caso, é covarde.
Eu não quero te transformar em covarde, por isso não luto por você...
Mas estarei aqui, onde sempre estive, esperando que você lute, consigo mesma!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O que é certo?

A autocrítica não foi suficiente para que ela não fizesse. A possibilidade de perder tudo o que conquistara até o momento, não a fez parar. Nada a poderia impedir naquele momento. Ela iria até a última conseqüência, e foi.

Ninguém soube e ela continuou vivendo como antes vivera.

Mas até quando? Ninguém, nenhuma câmera de segurança a viu. Mas ela conseguiria simplesmente esquecer o que fez? Qual a necessidade de sermos totalmente transparentes?

O que ela fez salvou a vida de uma pessoa, mas foi socialmente errado.

O que é errado?

Você julgaria?

domingo, 8 de maio de 2011

Confuso

Um dia tudo se tornará confusamente normal.

O normal é tão confuso que quando tudo está absurdamente tranqüilo sentimos que algo de ruim poderá acontecer. Sempre esperamos a turbulência. Mas ele não. Ele, por ser extremamente confuso em si, ama o tranqüilo e sabe que nada pode acontecer que possa confundi-lo mais.

sábado, 7 de maio de 2011

Suspender-se

Ela sabia. Sabia que tudo aquilo não passava de mera piada divina. Não podia estar acontecendo com ela, não daquele jeito.

Deitou-se em seu quarto, no chão. Queria se conectar a algo que fosse firme. E aquele chão, frio e duro, era o que ela podia ter de melhor em se tratando de firmeza. Horas se passaram e ela não sentiu nada. Fome, sede, dor e muito menos vontade.
Seus pensamentos vazios corriam para o passado. Mas não se firmavam em imagem alguma, tudo estava borrado e distante. Mesmo as lembranças de ontem não faziam o menor sentido. Ela não conseguia pensar. Imagens aleatórias viam e iam. Um cachorro, uma casa antiga, um sapato, uma mão, um sorriso, uma igreja, um olhar, um caixão. Mas nada fazia sentido.

Ela tinha a sensação que estava suspensa da vida naquele momento. E gostaria que fosse verdade.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O Método

Ela sempre foi muito atenta a tudo o que fazia. Muito minuciosa. Muito cuidadosa. Uma vez estava lavando os pratos. Lavava com tanta maestria  e organização que parecia ter aprendido em algum livro, pois tinha método. Os copos para um lado, os pratos empilhados, as panelas separadas e os talheres dentro de uma vasilha. E tinha ordem também. Primeiro os pratos, depois os talheres e por último as panelas. Na verdade, os primeiros eram os copos, mas esses eram lavados com uma esponja diferente, só deles. Pois a gordura dos pratos e panelas não podia, de forma alguma, entrar em contato com os copos.

Tal na pia, tal na vida. Tudo o que ela fazia parecia já ter sido testado em algum lugar e seria certo o resultado positivo. Era uma máquina essa mulher? Talvez um robô do futuro em fase de teste. Vai saber.

Até nos relacionamentos a metodologia era exímia. Tudo bem calculado e acertado. Nada de exageros, mas nada de menos também. Ela sabia ser doce e feliz, com método. As pessoas que com ela se relacionavam não davam muita importância para tudo isso. No inicio tudo são flores. Mas o tempo que passavam sem dar importância, era o tempo que a suportavam. E iam embora, sem dizer por quê. Ela, que para tudo tinha um método, respirava fundo e seguia em frente, “não sabem o que perderam”.
Até que em um desses relacionamentos, ela não foi simplesmente deixada. Foi chamada e disseram a ela por que a estavam deixando... “não tem como suportar viver ao lado de alguém que não me surpreende”.

Naquele dia, ela fechou a porta do seu apartamento, foi para pia, organizou a louça e começou o trabalho.

Quando olhou para as suas mãos percebeu que lavara todos os copos com a esponja errada.

Ela riu, sem método, nem medida.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Limbo

Quando ela acordou, se sentiu diferente. Sentiu que não era mais. Não sabia o que exatamente havia mudado. Mas ela não acordará mais ela, simplesmente aquela que fora dormir se fora realmente, perdeu-se. E não saber-se mais era angustiante para ela. Logo ela, que sempre fora tão determinada, tão sensata. Ela olhava-se no espelho e não se enxergava. Começou a chover, ela foi até a janela e colocou a cabeça para fora, queria molhar-se, queria sentir-se. Correu escada a baixo e foi para o meio da rua, quase nenhum carro, quase ninguém. Ela olhou para o seu nublado e se reconheceu. Ela era assim cheia de nuvens carregadas.

Agora ela anda por ai, sem nuvens no seu céu, mas também sem sol.

No limbo do viver, ela se entregou.

Você é a minha pessoa!

Eu te amo. Isso é uma das poucas certezas que tenho nessa vida. Então porque faço isso? Estrago tudo, sempre estrago. Essa minha necessidade de ser mimada e querida o tempo todo estraga tudo na minha vida. O que acontece é que de tempos em tempos eu sinto um abandono. Já se sentiu abandonada? Aquela que fica esquecida no canto da festa? Aquela que ninguém vem buscar quando você larga da escola? Já sentiu como se todo mundo tivesse alguém a quem correr para se confortar e você tivesse que se satisfazer com quem estivesse disponível naquele dia? Sabe, eu nunca tinha tido uma pessoa minha. Minha mesmo, que eu pudesse contar. Uma pessoa que me esperasse. Eu sempre fui a que esperava. SÓ QUE ISSO CANSA!! E eu piro na batatinha quando chega o cansaço. E é uma merda. Eu faço tudo para agradar e ser “aceita”, isso também é uma merda, viver esperando aprovação alheia. Minha cabeça diz que não espera o carinho de ninguém, mas meu coração bate forte se alguém alisa os meus cabelos. Sou carente, e isso é realmente uma merda. Porque lhe sobrecarrego com uma carga que não é sua, não é sua. Mas o fato de não ser sua não impede que eu sinta o abandono, principalmente se não te tenho ao meu lado, se sou tua a distância.
Sempre termino pedindo desculpa, minha vida será pequena para toda a culpa que carrego, culpa que eu não sei de onde vem, ela só lateja dentro de mim.
Te amo.

terça-feira, 3 de maio de 2011

O cachorro

Ele era um cachorro muito malvado. Quem o olhasse a primeira vista pareceria esnobe. Ele não era do tipo que abanava o rabo para qualquer um. Mas também não rosnava para qualquer um. Ele era bem resolvido com a sua condição de cachorro e não precisava da aprovação de ninguém. Ele vivia, comia a sua ração, tomava a sua água, fazia as suas necessidades. E até roia o seu velho osso quando estava entediado. Afeto? Não, isso não fazia parte do seu vocabulário. Ele não estava preocupado em suprir as expectativas de ninguém, nem as suas, pois ele não tinha expectativas. Sem demonstrar confiança e nem amor a ninguém, ele ia vivendo.
Mas, ele tinha uma companheira. E essa gostaria de ter um cachorro que abanasse o rabo quando ela chegasse, que a fizesse se sentir querida quando estivesse triste, que sentisse a sua falta quando ela sumisse. Mas não, esse cachorro, mesmo sentindo a necessidade de sua companheira, não fazia nada disso. Ele não podia ser diferente, ele era só um cachorro. Ponto.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A menininha

Ela era uma menininha franzina. Pequena comparada as demais. Porém cresceu, com muito mimo e amor. Só que sua mãe sempre perceberá algo estranho. Não sabia definir, pois não havia definição. A menina cresceu sem  aperceber o seu jeito estranho de ser. Mas poderíamos pensar que todos somos estranhos, afinal não há uma só figurinha repetida nesse álbum de humanos. Se olharmos bem para o outro, sempre será bizarro. E a menina não notava nenhuma diferença tão grande que a fizesse excepcionalmente bizarra, mas ela era. Sim, ela era e sua mãe sempre percebeu. Mas não a contou, nunca. E a menininha descobriu, sempre se descobre.

A menininha antes de descobrir viveu. Viveu tudo o que podia, só que sempre faltava algo. Não para ela, mas para os outros. Para ela estava tudo mais do que suficiente, para os outros, muito menos. E esse desequilíbrio ficou muito explícito quando a menininha casou. Sim, ela casou. E seu marido também não comentou. Calou-se, assim como a sua mãe.

A menininha estava grávida. A médica, a qual sua ética não pode deixá-la omitir, disse que havia algo estranho, algo realmente bizarro. Mas ela não conseguia saber o que. Pois os exames não são muito claros. “Quando ela nascer saberemos”. Realmente, todos saberiam o que alguns já sabiam e outros nem suspeitavam. 

No dia do parto, estavam todos lá. A menininha muito ansiosa, seu marido de um lado, sua mãe do outro, e toda a sua família. Muita expectativa.

Quando a médica tirou o menininho da menininha, ela não pôde acreditar.

O menininho estava pela metade. Só a perna esquerda, só o braço esquerdo, só o pulmão esquerdo, só meio coração.

Foi nesse momento que a menininha se apercebeu. 

Tudo que ela fazia era pela metade. 

domingo, 1 de maio de 2011

O Troco

Quando um dia começa errado e você não reage, ele vai te cutucar, até você reagir. Comigo não adiantou. Disse que iria acordar cedo, não fiz. Uma cama que comprei, ainda não chegou; liguei para reclamar, mais uma semana de prazo. Cobrança que eu achava indevida no meu cartão, não foi, o crédito foi que não entrou. “Tem que saber junto à operadora do cartão, senhora!” Ah, deixa pra lá. Depois vejo isso. Isso só pela manhã. Entro no carro e pego o celular para saber como andam as coisas com a minha Vida. O que acontece? O visor do celular está metade apagado! Não consegui sentir raiva. Que droga, eu disse, e só! Ainda no caminho para o trabalho, um flanelinha. Rosto amigo, conhecido de todos os dias. Ele sorri, pede para limpar o pára-brisa, eu digo para deixar pra depois, mesmo assim ele limpa e diz que depois eu dou, olho para o minhaeiro do carro e vejo dois reais. Penso: porque não? Dou ao rapaz. Fico pensando depois o que ele fará com esse dinheiro tão insignificante pra mim. Pode ser que seja que esse dinheiro não deixará a família dele sem pão hoje. Trabalho, concentração zero, disposição zero, paciência cinco. Vamos lá. Entre algumas conversas com clientes, troco errado, antes que eu perceba a diferença de caixa, o cliente vem me devolver. Viu?? Não precisamos nos aperriar a vida nos dá troco também! Jogamos paciência e calma no mundo e ele nos devolve energia positiva.

Fico pensando se o que estou dando a vida é calma ou apatia.

sábado, 19 de março de 2011

No meio...

Essa minha mania de ser meio...

de ser/estar nem lá, nem acolá me persegue...

Em tudo nessa vida!

terça-feira, 8 de março de 2011

Falta de ar...

A ansiedade não é do bem...
"Calma tudo está em calma..."

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Loucura

Mudanças nos trazem nossas expectativas para a vida.
Eu gosto.
Eu mudo.
Dentro e fora.
Dentro da inconstância da minhas mudanças me conheço mais.
A prova da minha inconstância é que gostaria de ser constante.