Ela sempre foi muito atenta a tudo o que fazia. Muito minuciosa. Muito cuidadosa. Uma vez estava lavando os pratos. Lavava com tanta maestria e organização que parecia ter aprendido em algum livro, pois tinha método. Os copos para um lado, os pratos empilhados, as panelas separadas e os talheres dentro de uma vasilha. E tinha ordem também. Primeiro os pratos, depois os talheres e por último as panelas. Na verdade, os primeiros eram os copos, mas esses eram lavados com uma esponja diferente, só deles. Pois a gordura dos pratos e panelas não podia, de forma alguma, entrar em contato com os copos.
Tal na pia, tal na vida. Tudo o que ela fazia parecia já ter sido testado em algum lugar e seria certo o resultado positivo. Era uma máquina essa mulher? Talvez um robô do futuro em fase de teste. Vai saber.
Até nos relacionamentos a metodologia era exímia. Tudo bem calculado e acertado. Nada de exageros, mas nada de menos também. Ela sabia ser doce e feliz, com método. As pessoas que com ela se relacionavam não davam muita importância para tudo isso. No inicio tudo são flores. Mas o tempo que passavam sem dar importância, era o tempo que a suportavam. E iam embora, sem dizer por quê. Ela, que para tudo tinha um método, respirava fundo e seguia em frente, “não sabem o que perderam”.
Até que em um desses relacionamentos, ela não foi simplesmente deixada. Foi chamada e disseram a ela por que a estavam deixando... “não tem como suportar viver ao lado de alguém que não me surpreende”.
Naquele dia, ela fechou a porta do seu apartamento, foi para pia, organizou a louça e começou o trabalho.
Quando olhou para as suas mãos percebeu que lavara todos os copos com a esponja errada.
Ela riu, sem método, nem medida.
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