Quando ela acordou, se sentiu diferente. Sentiu que não era mais. Não sabia o que exatamente havia mudado. Mas ela não acordará mais ela, simplesmente aquela que fora dormir se fora realmente, perdeu-se. E não saber-se mais era angustiante para ela. Logo ela, que sempre fora tão determinada, tão sensata. Ela olhava-se no espelho e não se enxergava. Começou a chover, ela foi até a janela e colocou a cabeça para fora, queria molhar-se, queria sentir-se. Correu escada a baixo e foi para o meio da rua, quase nenhum carro, quase ninguém. Ela olhou para o seu nublado e se reconheceu. Ela era assim cheia de nuvens carregadas.
Agora ela anda por ai, sem nuvens no seu céu, mas também sem sol.
No limbo do viver, ela se entregou.
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