domingo, 19 de dezembro de 2010

Filhos

Quando optamos ser pai ou mãe, tudo relacionado à criança deveria ser feito com amor. Tudo.

Mas muitos são pais ou mães por acaso. O filho, então, torna-se um fardo.
Não acho digno.
Nem justo.

sábado, 27 de novembro de 2010

Era? Sou?


Não quero mais viver. Será que isso significa que quero morrer? Não, explico desde já que não. Quero ser platéia, quero assistir esse espetáculo que é a vida. Porém não quero ser ator, não nasci para isso, não é meu dom. Meu dom é não ter dom, é ser passiva, é observar, é nada fazer, não agir. Cansei, entende? Cansei de ser obrigada a fazer. Acredito que poderia até ter vontade se não existisse a obrigatoriedade. Quero ser, simples. Respirar, comer, dormir. Será que aguentarei viver desse modo? De um modo que não entendo? Digo que hoje vivo, vivo como vocês, para vocês, mas o que queria era só "respirar". Quando somos crianças "respiramos", não temos pressa, não temos objetivo.* Hoje, não ter direção é ser desorientado, alienado, por isso sou obrigada a ter, e tenho. *Quando acontece de eu não querer eu me sito mal. Por quê? Se eu não quero viver assim? Era para eu me sentir bem. Mas o fato é: tenho a necessidade de me sentir inserida, por isso faço. Queria tanto poder voltar no tempo, queria tanto só respirar. Mas já é tarde, o tempo passou. Não podemos mais brincar dizendo: "Agora eu era a professora e você o aluno.", "Agora eu era a bandida, mocinha, médica." Não, não! Agora eu não era, agora eu sou e ponto. O que eu sou? O que vocês exigirem de mim.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Nada.


Quando a disponibilidade chega a ansiedade em viver grandes momentos é tão grande que não vivenciamos nada.

Fica o vazio.

Vago.

O dia acaba.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Azar ou Sorte

cama, banho, trabalho, estudo, casa, banho, comida, cama.

frente, trás, direita, esquerda, cima, baixo.

música, filme.

cama, cadeira, chão, parede.

seco, molhado, seco, seco, molhado, molhado.

comida, bebida.

cama, banho, trabalho, estudo, casa, banho, comida, cama.

sorte, sorte, azar, azar, sorte, sorte, sorte, sorte.

Azar

Sorte

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A sombra


Ela estava andando na rua, naquele desânimo de sempre. Para ela estava tudo certo. Tudo tão certo que não tinha mais para que levantar toda manhã. Cada qual já estava em seu devido lugar. O andar era pesado, se arrastando e sacudindo os pés. Estava indo à padaria. O que iria comprar? Sei lá. Lá ela resolvia. Precisa sair daquele cubículo que um dia inventaram e disseram que era legal viver dentro. Ela não suportava o compactamento dos apartamentos. Tudo é reduzido ao mínimo possível. Inclusive a vida. A alegria. Para ela, não se pode ser completamente feliz em um apertamento. Felicidade, em dados momentos, é barulhenta. Não se pode fazer barulho, incomoda o vizinho. e o incômodo que ela sente em ter que ficar em silêncio, em não poder aumentar o som da vitrola e gritar feito uma louca? Esse não conta? Apertamento, não era com ela. Mas as circunstâncias levaram-na a morar em um. Estava na rua, era o que importava. Sentia o frescor do vento , e gostava. Olhando pra baixo pensou que poderia morrer. Se existe um lugar melhor, que ela vá logo, pensava. Uma mancha preta apareceu no asfalto, e a acompanhava. Era uma sombra relativamente grande. Olhou para cima. o sol a encandiou. Não conseguia enxergar o que era que estava fazendo aquela sombra. Ela não ia embora. Quanto mais depressa ela andava, mais a sombra a acompanhava. Mais uma tentativa. Ficou vendo pontinhos luminosos mesmo quando estava olhando pro asfalto. De cabeça baixa continuou, para poder observar ainda mais aquela sombra e tentar descobrir o que era. Quase bateu em um poste. a sombra a fez desviar.
Ela entendeu que por mais cabisbaixa que ela esteja sempre aparecerá motivo para continuar o caminho.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Mistério

Ela enxergava a possibilidade limítrofe do pior acontecer. A cada instante, em cada situação ela conseguia ver um desfecho desastroso da sua vida. essa sensação, que ela sempre trazia no peito, a entristecia por um dado momento. Gostaria de não sentir a angústia da possibilidade: coração apertado, nó na garganta, boca seca. Passou, o pior não aconteceu, mesmo ela enxergando com determinada clareza como seria. Essa outra sensação também a acompanhava. Esse frio que escorre do peito para os pés: alívio. Se fosse só esse, não incomodaria. Esse alívio a faz crer que ela é especial, o não acontecido a torna escolhida, sabe-se lá por quem, mas a torna. E ela é densa nas suas ações, ela é inteira, pois sempre leva a certeza do fim, do pesadelo. E esse não vem, então ela se dá ao direito de ser tudo de uma vez. Ela pode. Sua vida vai sendo sempre intensa e vivida e magnífica. Nunca o pior acontece. Vai ver que o mistério do bem viver está aí.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Ciclo


Uma desilusão iludida quer me convencer que não há pra quê.
Mas uma esperança esperançosa me anima e diz que a muito o que ser feito.
Um ânimo animado me toma e começo a me exaltar.
Um sonho sonhado volta a ser o caminho.
Até que o caminho longo volta a cansar.
Assim me canso dessa vida iludida
dessa vida esperançosa
dessa vida animada
dessa vida sonhada
dessa vida longa
dessa vida cansada.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Seres Estranhos


Uma Estrelinha vivia no céu. No meio de toda a escuridão ela brilhava muito, tanto que refletia em um planeta distante. Nesse planeta existiam seres bem esquisitos. Eles olhavam para cima e viam a escuridão. Só que existiam pontinhos brilhantes. Eles não sabiam o que eram. Ora esse pontinhos ficavam mais fortes, ora mais fracos. Os seres estranhos desejavam esses pontinhos brilhantes. Na verdade, alguns nem ligavam, não se davam nem ao trabalho de erguer o olhar. Outros admiravam, mas achavam injusto tê-los. ' A escuridão ficaria sem nenhum pontinho brilhante para se admirar. ', alguns pensavam. Porém, outros alguns, desejavam, queriam, almejam a possibilidade de tê-los. Queriam cuidar daquela luz para que ela se perpetuasse. Uns dariam todas as coisas estranhas que tinham para ter aquele brilho ao lado.
Uma Estrela, cansada da escuridão, se jogou nesse planeta distante. Caiu em um ombro estranho de um daqueles seres estranhos, mas caiu sobre um daqueles que não ligava para a luz na escuridão. Esse ser ainda bateu em seu estranho ombro para que aquela luz saísse. Não havia como. Depois que o brilho gruda ele não saí mais. O ser estranho, então, resolveu viver com aquilo, mas sem a menor intenção de dar-lhe atenção. O brilhinho disse a ele que seu nome era Estrela e que ela precisava de cuidado. O ser estranho, muito estranho, disse que não tinha tempo para essas bobagens de cuidado, carinho, amor. Ele tinha que juntar muito mais coisas estranhas nessa vida, e isso já levava todo o seu tempo.
Os outros seres estranhos, não tão estranhos, aqueles que dariam todas as suas coisas estranhas para cuidarem de uma estrelinha, não compreendiam. Como um ser estranho tem uma estrelinha no seu ombro estranho e a deixa perder o brilho? Simplesmente não entendem.
Mas é assim que os fatos se dão.
Sem compreensão.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Paciência para as expectativas

Quando você pode não se irritar o melhor é aceitar o inevitável e fazer o possível para viabilizar as coisas.

Atitudes diferentes das habituais.

Os planos não correm da forma que esperamos. O que se pode fazer? Respirar fundo e ir às mudanças de planos!
A questão é que quando nos apegamos a um ritual queremos que tudo saia com esperamos.

O problema do mundo são as expectativas.

Paciência é o remédio.

Dom ou treino?

Hoje em dia as pessoas querem fazer uma carreira muito rápido. Só que não é assim que funciona. Para uma pessoa ser realmente boa no que faz tem que ter treino, tem que passar um longo período de aprendizagem ( Palavras de uma artista que é boa no que faz!)

Será que temos que ter aquele dom divino para realizar algo ou o treino é suficiente?

É sabido que só o dom não é suficiente. mas poderíamos instigar um dom?

Acredito que quando se quer tudo não se tem nada. Muito difundido e muito verdadeiro.

Focar-se.

Passional demais e racional demais. O demais é o problema!

Sansão?!

Cortar os cabelos é como transformar-se em si mesma. Uma sensação de recomeço me toma quando o faço.

Algumas vezes detesto o corte, pois esse não retrata o meu momento. Outras é exatamente ao contrário. Saio do salão sentindo-me poderosa. Sansão às avessas! Outras nem sei, é aquele "tanto faz". O profissional pergunta se está bom e respondo um sem sal "está.". Mesmo sem analisá-lo, sabe?

Tem dias, muitos na verdade, que sou assim. Não quero aprofundar-me em nada. Não quero problematizar. Mas, em contra partida, tem dias que o drama se apossa de mim e por uma espinha, por uma palavra esperada e não dita, meu mundo rui.

Essa dualidade em mim não me ajuda em nada a me encontrar!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Por muito tempo fico tentando encontrar-me em mim mesma. não acho. não sei quem sou, não sei do que gosto realmente. Em determinados momentos me sinto confortável sendo assim, em outros me sinto ridícula. só que no fundo, no fundo mesmo acho que essa sensação emerge do fato de levar, muito, a opinião alheia em consideração.

quando vou me livrar deles?
é possível?
Gostaria, em alguns instantes, não ser ninguém nesse mundo. em outros quero ser alguém para todo mundo.
realmente não sei quem sou.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A inércia

Se pararmos pra pensar, a física que estudamos lááá no colégio lateja sempre em nossas vidas.
Estou me referindo à inércia. Aprendemos que para um corpo sair da inércia é preciso uma força maior do que a que manterá em movimento.
Não é assim que nos acontece?
O nosso corpo paralisado diante de algo que tem que ser realizado. Nos esforça~mo, esforçamos mais um pouco e quase... se desistimos nesse quase ficamos com a sensação de que precisaríamos de muito mais força para sair daquele estado, e por isso que foi inevitável ficar no quase. Não suportaríamos, de forma alguma.
Só quando no esforçamos mais é que percebemos que nem precisávamos de mais taaanta força assim, era só mais um impulso e lá vamos nós ladeira abaixo.
Para além da inércia!

?*?

Me questiono se quem fala muito consegue escrever algo que se aproveite.

Será esse o meu problema?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A lagarta

Uma lagarta gostava muito de rastejar por ai. Porém um dia ela se deparou com um buraco enorme. Ficou indecisa diante desse fato novo. Nunca acontecera algo de tamanha proporção. Se ela não passasse pelo buraco, gastaria muito tempo andando lateralmente até encontrar o seu fim, ela não conseguia enxergá-lo, "Ele deve ser enorme". Por outro lado, se ela entrasse no buraco... o que aconteceria? o que teria lá dentro? Uma angústia terrível a tomou. Ela ficou rodopiando no mesmo eixo por horas, tanto que caiu sem forças. Nesse momento uma coisa era certa: ela não iria a lugar nenhum.