segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Entre isso e aquilo, me busco.

Sinto o vento frio em meu rosto. Ele rasga meus poros como uma faca fria adenrando por minha pele. Esse vento me traz a tristeza, sinto a tristeza. A tristeza me consome, entra como esse vento, não sei como guardá-la. Queria deixar as portas fechadas para que ela não entre. E as janelas trancadas para que ela não saia. Se deixei-a entrar que arque com as consequências. Queria ser capaz. Capaz de deixá-la sair, já que entrou e isso é fato. Quando ela sai, arrasta consigo o que desejo esconder. Minha fraqueza, meus medos, meu desespero.
Quem sou? O que mostro é o que sou? Sou forte? Alguns diriam que sim, outros absolutamente não.
Lá vem de novo esse vento me rasgando.
Eu, hoje, sou essa que cristaliza a tristeza em lágrimas.
Amanhã? Não sei. Amanhã talvez seja a que sorri.
Entre isso e aquilo, me busco.
Vivo na busca de mim mesma.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

A menina

Uma menina atravessou a rua. Eu a observo. E penso, em um súbito, que aquela garotinha poderia ser eu. Ou eu ela. Quem essa garotinha será? Quais os sonhos que ela quer alcançar? Será que ela desejaria ser eu? Será que sou desejável, ou invejável? Mais uma vez: para que? O que não entendo é como cheguei aqui. O que me tornou isso? olho para a menina, ela passa por perto de minha janela e me sorri. Lembro da minha infância. Aquela menina me traz gostos e lembranças já esquecidos. O que faço com esse turbilhão de lembranças que me arrasam? Tanta lembrança. Tanto sentimento. A menina continua andando com uma determinação que não mais tenho, com uma alegria que não mais entendo, com uma esperança que há muito já perdi. Eu era ela, eu era assim. Não sou mais. Me perdi. Em algum momento peguei a estrada errada. mas não tem mais volta. Esse caminho é só de ida. Quando perde-se a inocência perde-se quase toda a beleza. E a inocência não cabe mais em nós, gente crescida.