Uma menina atravessou a rua. Eu a observo. E penso, em um súbito, que aquela garotinha poderia ser eu. Ou eu ela. Quem essa garotinha será? Quais os sonhos que ela quer alcançar? Será que ela desejaria ser eu? Será que sou desejável, ou invejável? Mais uma vez: para que? O que não entendo é como cheguei aqui. O que me tornou isso? olho para a menina, ela passa por perto de minha janela e me sorri. Lembro da minha infância. Aquela menina me traz gostos e lembranças já esquecidos. O que faço com esse turbilhão de lembranças que me arrasam? Tanta lembrança. Tanto sentimento. A menina continua andando com uma determinação que não mais tenho, com uma alegria que não mais entendo, com uma esperança que há muito já perdi. Eu era ela, eu era assim. Não sou mais. Me perdi. Em algum momento peguei a estrada errada. mas não tem mais volta. Esse caminho é só de ida. Quando perde-se a inocência perde-se quase toda a beleza. E a inocência não cabe mais em nós, gente crescida.
2 comentários:
"E a inocência não cabe mais em nós, gente crescida"
Muitas vezes tenho esse sentimento nostálgico. De vontade de tornar a inocência da infância.
Já tratei disso em um de nossos encontros. Quanto mais sabemos, somos apresentados ao mundo, aos fatos, à realidade, mais nos perdemos, nos tornamos distantes de nós, colocamos umas máscaras protetoras e seguimos nesse picadeiro/ palco ou sei lá de que chamar.
Mas sempre podemos ser felizes.
É só chegar em casa, tirar todos os artefatos e sermos nós conosco.
Mas a angústia vem em querer ser não só em casa!
"o inferno são os outros" Jean-Paul Sartre
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