
Ela estava andando na rua, naquele desânimo de sempre. Para ela estava tudo certo. Tudo tão certo que não tinha mais para que levantar toda manhã. Cada qual já estava em seu devido lugar. O andar era pesado, se arrastando e sacudindo os pés. Estava indo à padaria. O que iria comprar? Sei lá. Lá ela resolvia. Precisa sair daquele cubículo que um dia inventaram e disseram que era legal viver dentro. Ela não suportava o compactamento dos apartamentos. Tudo é reduzido ao mínimo possível. Inclusive a vida. A alegria. Para ela, não se pode ser completamente feliz em um apertamento. Felicidade, em dados momentos, é barulhenta. Não se pode fazer barulho, incomoda o vizinho. e o incômodo que ela sente em ter que ficar em silêncio, em não poder aumentar o som da vitrola e gritar feito uma louca? Esse não conta? Apertamento, não era com ela. Mas as circunstâncias levaram-na a morar em um. Estava na rua, era o que importava. Sentia o frescor do vento , e gostava. Olhando pra baixo pensou que poderia morrer. Se existe um lugar melhor, que ela vá logo, pensava. Uma mancha preta apareceu no asfalto, e a acompanhava. Era uma sombra relativamente grande. Olhou para cima. o sol a encandiou. Não conseguia enxergar o que era que estava fazendo aquela sombra. Ela não ia embora. Quanto mais depressa ela andava, mais a sombra a acompanhava. Mais uma tentativa. Ficou vendo pontinhos luminosos mesmo quando estava olhando pro asfalto. De cabeça baixa continuou, para poder observar ainda mais aquela sombra e tentar descobrir o que era. Quase bateu em um poste. a sombra a fez desviar.
Ela entendeu que por mais cabisbaixa que ela esteja sempre aparecerá motivo para continuar o caminho.
4 comentários:
Como pode uma reflexão ser otimista e melancólica?
Acho que você fez poder.
Bacana saber que temos mais uma escritora no grupo. Tô me sentindo muito especial nesse seleto meio intelectual...
Gostei também!
"escritora" "meio intelectual" risos!!! Isso são só devaneios!
Uma forma de se esvair sem se perder!
Escrever é uma arte Manu.
Gostei de verdade dos "devaneios".
Acho que há algo de "modesto demais" nas escritoras do ccl rs.
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